Hoje enquanto fazia umas das minhas diárias viagens de
metro, apercebi-me que estava com uma expressão carrancuda. Não estava chateada
nem tinha nenhuma razão para assim estar, simplesmente estava. Lembrei-me de
olhar para as outras pessoas que, tal como eu, viajavam pelo mundo subterrâneo
e reparei que elas também tinham todas a tal expressão carrancuda, toda a gente
muito cabisbaixa, com ares pensativos, todas muito compenetradas nas suas vidas
e nas suas coisas. Ninguém sorri, e isso entristeceu-me. Ninguém mostra um
pingo de simpatia para com os outros. O contacto com outras pessoas limita-se a
‘’peço desculpa’’ e ‘’com licença’’ entre empurrões e encontrões. Um milhão de
perguntas e respostas atacaram a minha cabeça na tentativa de arranjar uma
desculpa para toda esta falta de alegria nos rostos das pessoas. ‘’Se calhar é
porque ainda é cedo’’, ‘’Talvez não tenha dormido bem’’, ‘’Será que é por estar
desempregado/a?’’, ‘’Ou então morreu algum familiar’’. Eu entendo que haja
muita gente que não tenha qualquer motivo para sorrir ou para estar contente,
por ser cedo, por pensarem que têm mais não sei quantas horas de trabalho e
chatices pela frente, porque quando chegarem a casa têm que fazer o jantar ou
tratar dos filhos, já para não falar da falta de dinheiro e por tantas outras
coisas que as deixam mais em baixo mas não custa nada por um sorriso na cara. E
as pessoas ficam tão mais bonitas quando sorriem! Dá uma sensação de bem-estar,
de conforto e de proximidade entre as pessoas. SORRIAM! Não vamos contribuir
para uma sociedade de pessoas tristes e sisudas. Pus logo um sorriso na cara. E,
embora eu fosse das únicas pessoas a sorrir, senti-me bem porque senti que o
meu sorriso estava a contribuir para que o nosso país seja um país onde a
felicidade não tem que ser uma utopia.