sexta-feira, 24 de maio de 2013

Viagens subterrâneas


Hoje enquanto fazia umas das minhas diárias viagens de metro, apercebi-me que estava com uma expressão carrancuda. Não estava chateada nem tinha nenhuma razão para assim estar, simplesmente estava. Lembrei-me de olhar para as outras pessoas que, tal como eu, viajavam pelo mundo subterrâneo e reparei que elas também tinham todas a tal expressão carrancuda, toda a gente muito cabisbaixa, com ares pensativos, todas muito compenetradas nas suas vidas e nas suas coisas. Ninguém sorri, e isso entristeceu-me. Ninguém mostra um pingo de simpatia para com os outros. O contacto com outras pessoas limita-se a ‘’peço desculpa’’ e ‘’com licença’’ entre empurrões e encontrões. Um milhão de perguntas e respostas atacaram a minha cabeça na tentativa de arranjar uma desculpa para toda esta falta de alegria nos rostos das pessoas. ‘’Se calhar é porque ainda é cedo’’, ‘’Talvez não tenha dormido bem’’, ‘’Será que é por estar desempregado/a?’’, ‘’Ou então morreu algum familiar’’. Eu entendo que haja muita gente que não tenha qualquer motivo para sorrir ou para estar contente, por ser cedo, por pensarem que têm mais não sei quantas horas de trabalho e chatices pela frente, porque quando chegarem a casa têm que fazer o jantar ou tratar dos filhos, já para não falar da falta de dinheiro e por tantas outras coisas que as deixam mais em baixo mas não custa nada por um sorriso na cara. E as pessoas ficam tão mais bonitas quando sorriem! Dá uma sensação de bem-estar, de conforto e de proximidade entre as pessoas. SORRIAM! Não vamos contribuir para uma sociedade de pessoas tristes e sisudas. Pus logo um sorriso na cara. E, embora eu fosse das únicas pessoas a sorrir, senti-me bem porque senti que o meu sorriso estava a contribuir para que o nosso país seja um país onde a felicidade não tem que ser uma utopia. 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sem ti não existo eu.


Sabes qual é o meu maior sonho? É ter contigo a vida com que sempre sonhamos. É ser feliz ao teu lado, só tu e eu. É partilhar as lágrimas e os sorrisos. É saber que és meu, só meu e que nada nem ninguém te vão tirar de mim. É sentir-me segura contigo, sentir-me amada e desejada. É poder beijar-te, sentir os teus lábios, o teu corpo, a tua respiração, o bater do teu coração. É mergulhar no azul profundo dos teus olhos e perder-me lá para sempre. É ouvir no silêncio da noite e num sussurro sincero um ‘amo-te’ que me arrepia. É ter a certeza do final feliz que parece nunca mais chegar. Por vezes as forças faltam e a tristeza é quem se apodera de mim. Espero e continuarei a esperar com a esperança de que tudo acabará rápido e que dias melhores viram. E aí sim… Aí poderei ter a certeza que atingi a felicidade, aí poderei ter a certeza de que és meu e de que contigo nada de mal me pode acontecer. Sem ti eu sou apenas uma gota de chuva no meio de tantas outras. Contigo sim, sou especial. Porque sem ti… Sem ti não existo eu.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Doce Infância


Lembro-me dos tempos de criança, quando tudo era simples e puro. Uma brincadeira. Quando um passarinho ou uma borboleta eram seres com uma beleza inigualável, voavam tão livremente. Também um dia queríamos ser como eles e voar até ao sol, deitarmo-nos e brincarmos nas nuvens brancas como algodão. Correr no jardim atrás de uma bola ou daquele amigo ou amiga mais especial. Olhar o mundo com uma ingenuidade e pureza próprias da tenra idade. A vontade de crescer, de ser grande, ter sapatos altos como a mãe, ter um carro e uma casa só nossa, ser o melhor policia, o melhor médico ou a melhor professora e pensar que o único problema que tínhamos na vida era termos de comer a sopa e os legumes ao jantar.
Hoje penso: O que é feito dessas crianças? O que é feito da ingenuidade, da pureza e da simplicidade? O que é feito das corridas no jardim, do sonho de voar, do polícia, do médico, da professora e do amigo que connosco brincava?
Apercebo-me que todas estas coisas continuam lá e continuam tão maravilhosas como quando eram antes, a idade, por vezes, é que muda as pessoas, faz-nos perder valores tão bons que tínhamos quando éramos crianças. Será que algum dia os vamos recuperar? Ou será que vamos continuar a desprezar a beleza das coisas simples que nos rodeiam? Continuar a andar carrancudos e não mostrar um mero sorriso às pessoas que por nós passam?
No fim disto surge-me apenas uma pergunta: Será que a criança que foste tem orgulho da pessoa que és?