Lembro-me dos tempos de criança,
quando tudo era simples e puro. Uma brincadeira. Quando um passarinho ou uma
borboleta eram seres com uma beleza inigualável, voavam tão livremente. Também
um dia queríamos ser como eles e voar até ao sol, deitarmo-nos e brincarmos nas
nuvens brancas como algodão. Correr no jardim atrás de uma bola ou daquele
amigo ou amiga mais especial. Olhar o mundo com uma ingenuidade e pureza
próprias da tenra idade. A vontade de crescer, de ser grande, ter sapatos altos
como a mãe, ter um carro e uma casa só nossa, ser o melhor policia, o melhor
médico ou a melhor professora e pensar que o único problema que tínhamos na
vida era termos de comer a sopa e os legumes ao jantar.
Hoje penso: O que é feito dessas
crianças? O que é feito da ingenuidade, da pureza e da simplicidade? O que é
feito das corridas no jardim, do sonho de voar, do polícia, do médico, da
professora e do amigo que connosco brincava?
Apercebo-me que todas estas
coisas continuam lá e continuam tão maravilhosas como quando eram antes, a
idade, por vezes, é que muda as pessoas, faz-nos perder valores tão bons que
tínhamos quando éramos crianças. Será que algum dia os vamos recuperar? Ou será
que vamos continuar a desprezar a beleza das coisas simples que nos rodeiam?
Continuar a andar carrancudos e não mostrar um mero sorriso às pessoas que por
nós passam?
No fim disto surge-me apenas uma
pergunta: Será que a criança que foste tem orgulho da pessoa que és?